Carolina

Mk.Oliver

10/11/2019

Era uma vez uma menina chamada Carolina.
De tanto reparar na filha de Romeu,
sua mãe escolheu o mesmo nome da menina.
Era esse o modo de homenagear o vizinho seu.

Carolina era uma menina muito sossegada.
Diferente da mãe ela não gostava de se preocupar,
também era muito educada,
nem pela vida dos outros se interessar.

Mas um dia Carolina começou a mudar.
De repente, mudou seu jeito
e a menina boazinha e bonitinha
agora tinha muito defeito.

Carolina tudo repetia:
se alguém roncava, Carolina também roncava;
se alguém gaguejava, Carolina também gaguejava;
se alguém tossia, Carolina também tossia.

Mas seus defeitos não eram culpa dela.
Ela não conseguia conter
e quando percebia,
lá vinha o defeito sem querer

Sua mãe não entendia
o que com Carolina acontecia.
Por que aquela bela menina
tinha os defeitos que ela mais temia?

Começou então a notar
que toda vez que reparava em defeito de alguém,
a menina começava a imitar
e passava a ter o defeito também.

Até que um dia sua mãe resolveu levá-la ao médico,
mas o médico nada resolveu,
e até o defeito de ficar cuspindo
em Carolina cada vez mais cresceu.


A mãe de Carolina resolveu procurar um padre,
para o problema melhorar,
mas ao invés da cura alcançar
Carolina, agora, começou os cantos da boca 
espumar.


As imitações aumentavam.
Agora, até o senhor da esquina,
aquele que vivia se coçando,
Carolina estava imitando


Então, a mãe de Carolina levou-a a uma benzedeira.
Talvez ela conseguisse sua filha curar
e a mulher recomendou
Pare de fofocar e nos outros reparar.


E assim a mãe de Carolina fez
essa ordem era difícil de aceitar,
pois o que mais ela gostava
era ficar sem ter o que fazer e as pessoas observar.


Mas como Carolina estava cada vez pior,
ela resolveu a benzedeira escutar.
Parou de ficar na esquina
e da vida dos outros não ia mais cuidar.

 

E não é que funcionou
Carolina, completamente, se curou.
De ficar imitando a tudo e a todos,
bem repentinamente a menina parou

Agora a mãe de Carolina aprendeu
a cuidar somente de sua vida.
Das outras pessoas esqueceu
e nunca mais foi a esquina.

Passou a cuidar só de si e da filha
e passou aos outros respeitar.
Ter jeitos e manias faz parte da espécie humana
e não podemos criticar.

A vida da mãe de Carolina mudou.
Até os ditos populares aceitou.
Alguns eu vou citar
e muitos outros você há de escutar:
- Macaco senta no próprio rabo para falar do rabo dos outros
- O que os olhos não vêem o coração não sente

Entre outros...

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