Bingo

Mk.Oliver

02/08/2020

Bingo estava cansado de sua vida enfadonha. Não que Lúcia, sua dona, não o tratasse bem. Sempre tinha água e comida em vasilhas limpas e sua casinha era sempre limpa e arrumada. Recebia carinhos e, apesar de detestar, davam-lhe banho, pelo menos uma vez por semana.

O problema é que Dona Lúcia quase nunca saia para passear com ele. Quando saia, praticamente o enforcava e o arrastava pelas ruas. Qualquer dia voltaria para casa morto, enforcado pela própria coleira. Resolveu fugir por uma brecha na grade do portão. O vão sempre estivera ali, porém nunca tentara colocar a cabeça para escapar.

Sentia-se feliz livre, leve e solto caminhando pela rua. Andou um bom tempo.

 

De repente percebeu que algo envolveu o seu corpo. Quando viu estava dentro de um saco. Lutou, lutou para se soltar, mas não conseguiu. Foi parar em algum lugar desconhecido. Assustou-se ao perceber que estava cercado por grades. Ele e outros cães estavam presos em alguma espécie de jaulas individuais. Desesperou-se. Começou a latir e morder as barras de ferro. Claro que não adiantou nada.

Viu que os animais ali presos estavam tristes e alguns apresentavam condições de maus tratos: magros, feridos e debilitados. O que será que aconteceria se ficasse ali? Morreria de fome ou ficaria nas mesmas condições dos demais?

Bingo tinha que pensar em algo.

Notou que algumas daquelas prisões tinham as portas sem trancas ou estavam semiabertas. Então teve um plano...

No dia seguinte, assim que o homem que o aprisionou foi levar uma mísera porção de ração para alimentá-lo e abriu a porta onde Bingo estava, o cão não teve dúvida: tacou-lhe uma mordida. O brutamontes gritou de dor.

O homem avançou novamente sobre Bingo, mas ele já tinha saído da cadeia e atacou o homem por trás, no bumbum. Foi uma mordida daquelas! Os dentes ficaram cravados no bumbum do homem e este, desesperado de dor, correu, tentou reagir, porém alguns cachorros, vendo toda aquela situação, conseguiram escapar de suas prisões e o auxiliaram no ataque e posterior empreitada da fuga.

Bingo ficou orgulhoso daqueles companheiros que acharam forças, nem sabia de onde. O homem titubeou e caiu, estatelando-se no chão. Foi a deixa para os cães escaparem. Por sorte o caminho estava livre e saíram pelo portão aberto.

Conseguiu encontrar o caminho de volta para casa. Sua dona estava desesperada atrás dele. Nunca mais sairia dali.

Pouco tempo depois, ficou sabendo que o homem que o capturou fora preso por maus tratos aos animais. Os cães que não conseguiram fugir ou foram recapturados foram cuidados, medicados e encaminhados para a adoção.

Bingo estava contente. Sua dona começou a passear mais com ele e era mais cuidadosa ao caminharem.

A história teve um final feliz.

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