Com fé e amor, moradora do Ouro Verde superou 
dificuldades para ser exemplo de mãe

Paulo Medina

15/05/2019

Neste mês das mães é tempo de valorizar aquelas que doam amor. Exemplo disso é dona Isná Chaves Moreira, de 69

anos, moradora do Jardim Aeroporto, que nasceu na cidade de Medina, em Minas Gerais, e mora há 40 anos no Ouro

Verde.


Ela tem quatro filhos: Eva, Cássio, Márcio e Valdivo, que é um sobrinho que se tornou filho adotivo. É casada com João Moreira dos Santos, há praticamente 52 anos, tem dois netos: Ana Luísa e João Pedro, dos filhos de sangue; e quatro

netos e quatro bisnetos do filho adotivo.


Dona Isná chegou ao Ouro Verde e passou muita dificuldade. Sem conseguir pagar aluguel, foi morar com a família em

um barraquinho. "Vim para Campinas em janeiro de 1979, direto para o Ouro Verde. Aqui não tinha nada, era difícil,

ônibus parava longe, não tinha asfalto. Chegamos, pagamos aluguel seis meses, as coisas apertaram e meu marido

queria ir embora, pedi pra ele confiar em Deus que as coisas dariam certo. Chamei uma amiga e disse que se ela

achasse um barraquinho me avisasse. E achamos um. Aí a gente mudou para lá, a mudança nós carregamos nas

costas, porque não tínhamos condições para nada. Na época tínhamos dois filhos e quando meu marido via as crianças dormindo naquele barraquinho ele ficava muito chateado, desiludido e chegou a ficar doente uma semana. Eu estava

alegre, sabia que Deus estava trazendo as coisas para a gente, e então ficamos um tempo morando nesse local", contou.


Naquela época de dificuldades, dona Isná trabalhava em dois empregos: era doméstica das 6h às 11h, e trabalhava na

parte da tarde na antiga Telesp, atual Telefônica, na função de faxineira. "Moramos no barraco por quase cinco anos.

Com o tempo e muito sacrifício e determinação, foram construindo uma nova casa que é, onde hoje nós moramos, na

Rua Jananaíra. Mas quando saímos de lá eles deixaram construída uma casa com três quartos, sala, copa, cozinha, e

no fundo tinha a minha casa com mais dois quartos, sala, cozinha, área de churrasqueira, tudo isso após 12 anos que chegaram ao Ouro Verde", disse orgulhosa a filha.


No percurso da vida, dona Isná sofreu três derrames (AVC), mas vive com a mesma alegria e fé de sempre. "Tive três derrames, o primeiro quando tinha 32 anos e ainda amamentava meu terceiro filho, o Márcio. Fiquei com fraqueza na memória, não saio sozinha para ir na rua, porque tenho lapsos de memória, tenho que estar sempre acompanhada,

sempre com alguém do lado. Tenho um pouco de deficiência do lado esquerdo do corpo, mas faço as atividades

domésticas, adoro cozinhar e reunir a família toda", disse.


Ao lembrar do passado, dona Isná se alegra da mulher de fé e determinada que sempre foi.
‘‘Graças a Deus passamos por cima de tudo isso, foi na luta, mas com Deus tudo vale a pena, hoje eu estou feliz. É

muito gostoso, todos os dias louvo e agradeço a Deus, é gostoso a gente parar, olhar e agradecer, e ainda temos

esperança de fazer mais coisas se for a vontade de Deus. Sou muito grata por tudo", falou dona Isná.


Para a filha mais velha Eva, dona Isná é o seu espelho. "Minha mãe é meu tudo, é minha razão de viver, é meu espelho,

e hoje ela demonstra ser muito mais forte, ter muito mais coragem, é mais guerreira e batalhadora do que eu com 48

anos, ela tem mais vigor, levanta mais cedo do que eu. Só agradeço a Deus, ela é um exemplo", disse Eva.


 Isná fala do filho adotivo. ‘‘O Valdivo, de 54 anos.  É um sobrinho que acabei adotando como filho, criei, coloquei pra estudar. Me deu muitas alegrias’’. 

 

A mãe agradece o local que a acolheu. ‘‘Estou muito feliz, gosto do Jardim Aeroporto, foi o lugar que lutei para criar

meus filhos, agradeço também aos meus vizinhos e amigos. Tem muita gente boa por aqui!’’.

Dona Isná diz o quanto é bom ser mãe. 
"Ser mãe é  amar os filhos, ensinar, corrigir, mesmo que às vezes eles não ouçam a gente, mas temos obrigação.

É uma maravilha ser mãe, é muito gostoso, se eu pudesse reuniria os filhos, as esposas e os netos, enfim a família

toda, todos os dias. Prá mim é uma grande satisfação’’.

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