Região dos DICs recebe projeto-piloto para medição

de oxigenação do sangue de moradores 

Paulo Medina

02/08/2020

Os centros de saúde dos DICs 3 e 6 iniciaram na terça-feira, 21 de julho, um projeto-piloto de monitoramento da taxa de oxigenação do sangue de pacientes com mais de 60 anos confirmados ou suspeitos de Covid-19. O anúncio foi feito pelo prefeito de Campinas, Jonas Donizette, em transmissão na internet. Os pacientes serão avaliados em domicílio com um aparelho chamado oxímetro, que é colocado na ponta do dedo.

O projeto busca esvaziar as UTIs e é feito em parceria entre a Prefeitura de Campinas, o Instituto Estáter e a Sociedade Brasileira de Infectologia. O objetivo é acompanhar de forma pró-ativa a oximetria da população acima de 60 anos, que é a mais impactada e que tem mais dificuldade de ir para os hospitais. O projeto pretende reduzir a mortalidade e diminuir a sobrecarga das UTIs. “A experiência tem mostrado que muitos pacientes que vão para a enfermaria mais cedo, recebem o protocolo básico de medicação e apoio de oxigênio não precisam ir para as UTIs”, afirmou o engenheiro e sócio-fundador da Estáter, Percio de Souza.  

O projeto começou pelos centros de saúde do DIC 3 e DIC 6. Cada centro de saúde conta com 20 oxímetros doados pelo Instituto Estáter. Todas as unidades da rede já possuem oxímetros. O monitoramento será feito pelos Agentes Comunitários de Saúde, que irão monitorar diariamente, de manhã e à tarde, a saturação dos pacientes. Isso será feito do 5º ao 10º dia de sintomas.

“Escolhemos a região Sudoeste porque lá fica o Ouro Verde, hospital municipal de retaguarda Covid, e temos centros de saúde contíguos, com a estrutura que a gente precisava”, disse o secretário de Saúde, Carmino de Souza. Se a taxa de oxigênio estiver abaixo de 95%, o que é um sinal de alerta, os pacientes serão orientados a ir até o centro de saúde para avaliação médica.

É comum o paciente com Covid apresentar falta de oxigênio no sangue sem se queixar de falta de ar – isso se chama hipóxia silenciosa. A medição da saturação de oxigênio nos pacientes ainda quando apresentam os primeiros sintomas, pode salvar a vida das pessoas e evitar internações em UTIs. Os centros de saúde DIC 3 e DIC 6 são responsáveis por uma cobertura de cerca de 26 mil habitantes, sendo 2.302 (8,9%) pessoas maiores de 60 anos.

As duas unidades fazem o monitoramento por telefone dos pacientes com síndrome gripal. Os pacientes com mais de 60 anos e comorbidades são monitorados por meio de ligação telefônica a cada 24 horas. Os não vulneráveis, a cada 48 horas. A média de atendimento diário de sintomáticos gripais nos CSs DIC 3 e DIC 6 é de 35 pacientes presenciais e 50 por teleatendimentos.

Nas duas unidades, foram confirmados até agora 338 casos de Covid-19, com 16 óbitos. Destes, 11 (69%) foram em homens e nove (31%) em mulheres. A média de idade dos pacientes que morreram foi de 65 anos. Todas as pessoas que morreram passaram por internação hospitalar, sendo que 56,3% foram direto para UTI. O projeto também inclui ações de comunicação, pesquisa, informação e mobilização social, com distribuição de cartilhas e capacitação dos profissionais de saúde. 
 

Fernanda Sunega - PMC

Os centros de saúde dos DICs 3 e 6 (foto) iniciaram na terça-feira, 21 de julho, um projeto-piloto de monitoramento da taxa de oxigenação do sangue de pacientes com mais de 60 anos confirmados ou suspeitos de Covid-19. O objetivo é acompanhar esses pacientes que são mais impactados com a doença.

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