Diabetes e seus mitos

Veja os sintomas, recomendações, tratamento e diagnóstico desta doença

09/11/2018

Da redação

Quando se fala em diabetes tem uma frase dita por muitas avós que ecoam na cabeça das pessoas: “não coma muito doce que vai ficar diabético, menino”. Até faz sentido, já que a doença está relacionada com o excesso de glicose (açúcar) no organismo, mas não é pela grande ingestão de doces que uma pessoa torna-se diabética.


Os maus hábitos alimentares, sedentarismo e o tabagismo são a grande causa de diabéticos no Brasil. O número de pessoas que tem a doença no país supera os 13,4 milhões, sendo 90% deles com a forma adquirida da moléstia, o chamado diabetes tipo II, que tem relação com o estilo de vida não saudável.


A doença acontece pelo fato de que quando comemos algum alimento ele é digerido pelo organismo e se transforma em açúcar, também chamado de glicose. Essa substância é usada pelo nosso corpo como energia. Só que a utilização da glicose depende da presença de insulina, uma substância produzida nas células do pâncreas, cuja função é quebrar as moléculas de glicose para transformá-las em energia. Quando a insulina não faz o seu trabalho, a glicose não é bem utilizada pelo organismo e ela se
eleva no sangue o que chamamos de hiperglicemia. Por isso, dizemos que diabetes é a elevação da glicose no sangue.
Sendo assim, aquela frase de avó não fica tão errada, correto? 


A diabetes é genética, ou seja, se você tem em sua família uma pessoa com a doença terá mais riscos de desenvolvê-la.
Também é importante saber que em qualquer etapa da vida pode aparecer a doença, já que é genética. As chances aumentam se o indivíduo estiver fora do peso, com hipertensão arterial, traumas (acidente, onde é comprometido a função do pâncreas),
ou doenças como câncer que afeta o pâncreas. E um alerta, não tem como evitar o aparecimento do diabetes, mas, sim
controlar com boa alimentação e hidratação, atividades físicas, manutenção do peso, e monitoramento glicêmico.


Quando se fala na doença é preciso esclarecer que existem algumas variações. A diabetes tipo I, por exemplo, ocorre quando o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. A instalação da doença ocorre mais na infância e adolescência e exige a aplicação de injeções diárias de insulina. Já a diabetes tipo II é quando as células são resistentes à ação da insulina. Neste caso, a doença geralmente acontece depois dos 40 anos de idade. Ainda existe a diabetes gestacional, que acontece durante a gravidez e está relacionada com o aumento de peso das mulheres. Por fim, existe a diabetes associada a outras doenças e uso de certos remédios.


Mas, segundo o endocrinologista Moacir Gallo, a doença não tira a qualidade de vida do paciente. “É possível levar uma vida saudável desde que o paciente tenha consciência de tomar os medicamentos diariamente, alimentação adequada, estar com
a pressão arterial correta e dislipidemia controlada (colesterol e triglicérides)”, disse. Segundo ele, o acompanhamento de um profissional especializado é indispensável.


Sintomas

Para identificar o diabetes o paciente recebe alguns sinais do corpo. Geralmente, a pessoa urina muito, e, por isso, sente muita sede. Além disso, tem o aumento do apetite; dificuldades de visão; impotência sexual; infecções na pele e nas unhas; feridas
que demoram para cicatrizar; e distúrbios cardíacos. 

Mas é preciso ficar atento, porque para quem desenvolve o diabetes tipo II estes sintomas são quase imperceptíveis, já que demoram muito para aparecer. Situação bem diferente para o diabetes tipo I quando os sintomas aparecem de forma agressiva. Os portadores de diabetes tipo I podem até entrar em coma, uma situação de emergência e grave.  
   

Recomendações

Para tratar o diabetes é preciso da ajuda de um médico especialista, que fará também a prescrição de medicamentos e uma
dieta balanceada que deve ser seguida criteriosamente. Mas, para os que adoram comer os doces da avó, vem aqui o alívio.
Os especialistas dizem que é possível sim comer, às vezes, o que se gosta – como doces – mas é preciso moderação.
Além disso, a prática de exercício físico é fundamental, já que ajuda a controlar o nível de açúcar no sangue. 
O fumo provoca estreitamento das artérias e veias. Como o diabetes compromete a circulação, fumar pode acelerar o processo
e o aparecimento de complicações. Outra dica é o controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol e triglicérides que deve ser feito com regularidade.


Para o endocrinologista. “as restrições alimentares devem-se a usos de carboidratos no arroz comum, pão francês, batatas fritas, lanches e pizzas. E é importante que as pessoas saibam que um diabético não pode deixar de comer doces, desde que seja diet”, revelou Moacir Gallo. Ainda segundo ele, o diagnóstico precoce é o primeiro passo para o sucesso do tratamento. 

 

Tratamento 

Para quem desenvolve o diabetes tipo I é chamado de insulinodependente, porque exige o uso de insulina por via injetável
para suprir o organismo desse hormônio que deixou de ser produzido pelo pâncreas. A suspensão da medicação pode provocar
a cetoacidose diabética, que é um distúrbio metabólico que pode colocar a vida em risco.
Já o tipo II não depende da aplicação de insulina e pode ser controlado por medicamentos ministrados por via oral.
A doença descompensada pode levar ao coma hiperosmolar, uma complicação grave que pode ser fatal.

Diagnóstico 


Um simples exame de sangue pode revelar se você é portador do diabetes. O exame mais comum é feito com uma gota de sangue e glicemia capilar, não demora mais que 3 minutos para saber o resultado. Mas esse não é um resultado concreto,
caso seja notado um aumento considerável da taxa glicêmica, deve-se realizar um exame mais profundo.
“Eu acredito que com o passar dos anos o paciente pode ter uma consciência melhor de sua doença, com certeza vai cuidar-se melhor e ter uma vida saudável, evitando complicações. É possível ter uma vida normal”, disse Moacir.

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