Justiça bloqueia bens de envolvidos em escândalo 

26/10/2018

Paulo Medina

A Justiça de Campinas concedeu liminar após pedido do Ministério Público Estadual e mandou bloquear os bens de envolvidos no escândalo de corrupção do Hospital Ouro Verde. Foram bloqueados os bens de quatro pessoas que

possuem relação com a OS Vitale, epicentro do escândalo, de um médico e dois ex-servidores da Prefeitura de

Campinas. A finalidade dos bloqueios de bens é ressarcir em R$ 366,6 mil os cofres públicos. Ainda cabe recurso aos envolvidos no caso.

 

Conforme relatos, o ex-diretor clínico da unidade, Roberto Gimenes, confessou que realizou cirurgia com dinheiro

público para colocar balão intragástrico na mulher de Ronaldo Foloni, que é acusado pelo MP de participar do grupo

da Vitale que desviou R$ 4,5 milhões do hospital. 


Ainda segundo o MP, foram confirmados outros danos ao Hospital Ouro Verde, como a manutenção de quatro

supostos funcionários fantasmas.


Foram alvo dos bloqueios Alcir Fernando Pereira, então contador da Vitale, Ronaldo Foloni, então diretor da Vitale,

que cumpre prisão domiciliar, Thiago Sampaio de Oliveira Pena, então administrador da Vitale, Roberto Gimenes,

ex-diretor clínico do Ouro Verde), Clemente Guilhem Neto, então administrador de empresas, Anésio Corat Júnior,

ex-diretor do Departamento de Contas da Saúde, que está preso, e Ramon Luciano da Silva, ex-servidor municipal,

que está preso.


Apuração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) mostra que além do desvio de

R$ 4,5 milhões, o modus operandi previa R$ 1,2 milhão em propina para ex-servidores aprovarem contas irregulares

que maquiavam consultorias pagas, mas não realizadas.


Diante do escândalo, o prefeito de Campinas (SP), Jonas Donizette (PSB), disse que o governo municipal “tomou

medidas enérgicas”. "O contrato com a organização foi rompido e os servidores acusados de envolvimento foram sumariamente demitidos e afastados de seus cargos.", disse por meio de assessoria de imprensa. E alega que a

Prefeitura “sempre foi rigorosa nas cobranças à Vitale em relação aos problemas no Hospital Ouro Verde”.

                               

Multa

A Prefeitura aplicou multa à OS Vitale de R$ 1,9 milhão e a OS está suspensa de participar de qualquer licitação na

cidade pelo período de dois anos. A multa é de 10% sobre o valor mensal do contrato firmado entre Vitale e

município, que era de R$ 11,7 milhões. 

Comissão

Aberta há oito meses para investigar irregularidades nos repasses e prestação de contas da Vitale, a comissão só apresentará resultados dos trabalhos em 2019, informou a Prefeitura. Isso porque, argumentou, as atividades estão

sob sigilo.


Por outro lado, quando a comissão de apuração foi nomeada, o secretário de Gestão e Controle, Thiago Milani, disse

que o prazo dos trabalhos seria de 180 dias para conclusão, podendo ser prorrogado.


A comissão tem quatro profissionais, sendo dois de Gestão e Controle, André Luís Espíndola Basso, agente de

suporte de tecnologias e João Pedro do Prado Pires, auditor de controle interno, e dois auditores tributários, Fernando

José Santos de Oliveira e Fernando Ribeiro de Toledo. 


Desde o escândalo, a Prefeitura assumiu a gestão do Hospital Ouro Verde e implantou a Rede Mário Gatti a fim de

unificar a administração dos hospitais do município.

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