Operação Ouro Verde achou rastro da corrupção e completa dois anos 

Paulo Medina

22/12/2019

A Operação Ouro Verde identificou o rastro na corrupção na saúde pública de Campinas e fez uma verdadeira varredura em esquemas fraudulentos em defesa da população. 


Deflagrada em novembro de 2017 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério

Público Estadual, com o apoio da Polícia Militar, a primeira fase da Operação Ouro Verde desarticulou um grupo criminoso que desviava recursos públicos da área da saúde. Durante a investigação, apurou-se que um grupo por trás da Organização Social Vitale, que administrava o Hospital Ouro Verde, utilizava a entidade sem fins lucrativos para obter indevida vantagem patrimonial.


Essa vantagem foi obtida pelo desvio sistemático de recursos públicos. Foram mais de R$ 7 milhões desviados do Hospital Ouro Verde. Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão, na Capital e em Campinas, Bariri, Mogi das Cruzes, Santa Branca, São José do Rio Preto, Ubatuba e Várzea Paulista. Em Campinas, além da residência de investigados, a sede da Vitale,

no Hospital Ouro Verde, e a Prefeitura de Campinas sofreram. Na casa de um servidor público de Campinas foi encontrada a quantia de

1,2 milhão em dinheiro.


Em dezembro de 2017, a Justiça  aceitou a denúncia apresentada pelo Gaeco contra seis pessoas acusadas pelos crimes de integrar organização criminosa, fraude em licitação, falsidade ideológica e peculato. De acordo com os promotores de Justiça Daniel Zulian,

Jandir Moura Torres Neto e José Cláudio Tadeu Baglio, os denunciados Aparecida de Fátima Bertoncello, Daniel Augusto Gonsales Câmara, Fernando Vítor Torres Nogueira Franco, Paulo Roberto Segatelli Câmara, Ronaldo Foloni e Ronaldo Pasquarelli agiram para

burlar o chamamento público que definiria os responsáveis pela gestão do Hospital Ouro Verde.


Em janeiro de 2018, em audiência realizada na sede do MPT (Ministério Público do Trabalho), a Prefeitura de Campinas e a Organização Social Vitale Saúde firmaram Termo de Ajuste de Conduta (TAC), perante o Ministério Público do Trabalho. O município assumiu a responsabilidade pelo pagamento de todos os direitos trabalhistas, especialmente dos salários de todos os empregados do Hospital Ouro Verde e também as verbas rescisórias.


Em março de 2019, foi desencadeada a 2ª fase da Operação Ouro Verde, dando cumprimento a quatro mandados de prisão temporária

e cinco mandados de busca e apreensão em Campinas e São José do Rio Preto. 


Durante a investigação apurou-se o pagamento de propina, mensalmente, a servidores públicos. 
Os indícios de corrupção no Hospital apareceram desde o início do contrato, segundo o Ministério Público. Os servidores Anésio Corat Júnior e Ramon Luciano da Silva foram presos nesta operação. Eles eram responsáveis por aprovar a prestação de contas da Organização Social Vitale, e recebiam mensalmente R$ 20 mil, apurou o MP.


O Poder Judiciário autorizou a quebra do sigilo bancário de 17 pessoas e 28 empresas, todos investigados na Operação Ouro Verde.
Segundo o Ministério Público, empresas podem ter participado do esquema para lavagem de dinheiro e desvio de verba pública usando notas fiscais falsas.


Em novembro de 2018, o MP iniciou a 3ª fase da Operação.


Sílvio Bernardin, então secretário municipal de Assuntos Jurídicos de Campinas e um dos alvos da operação, teve prisão decretada e

foi exonerado do cargo. 


Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão e 11 de busca e apreensão. Entre os presos estavam Thiago Neves, diretor da Vitale.
Um mandado de prisão foi lavrado contra Sylvino de Godoy Neto, dono do jornal Correio Popular, apontado como integrante do esquema. Gustavo de Godoy, filho de Sylvino é proprietário da G K de Godoy Radiologia, uma empresa de imagem que foi contratada pela Vitale

para prestar serviços no hospital Ouro Verde e acusada de dividir valores obtidos ilegalmente com a direção da Vitale. Tal contratação

teria acontecido em uma troca de favores intermediada pelo dono do Correio Popular. 


Em fevereiro deste ano, convocado para prestar informações na Câmara, o secretário municipal de Governo e sobrinho do prefeito,

Michel Abrão Ferreira, negou estar envolvido em   quaisquer irregularidades no Caso Ouro Verde. Ele teve o nome mencionado pelo

delator da Operação Ouro Verde, Daniel Câmara, a respeito de um possivel esquema não executado para reequilibrar as finanças do contrato entre a OS e o governo, discutido entre ele, Maurício Rosa e o advogado Marcelo Scalão, que visava que a Vitale devolveria

R$ 400 mil por mês à Prefeitura para compensar a "falta de arrecadação" na campanha eleitoral de 2016.


Junho de 2019. A Promotoria ingressou com uma ação civil pública por improbidade administrativa e requer a condenação do prefeito

de Campinas, Jonas Donizette (PSB), do secretário de Saúde, Carmino de Souza, do ex-secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio

Bernardin, e outros 35 acusados.


A ação civil pública ocorreu após apurações da Operação Ouro Verde, que constataram desvio de R$ 8,6 milhões no escândalo.

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