Trabalho e(m) Alma

Rhodys R. Sigrist – Psicólogo Clínico, Educador e Escritor: CRP 06/113423 e-mail: rhodys_sigrist@hotmail.com

10/10/2018

Aquilo em que dedicamos tempo trabalha em nossa alma. Tudo aquilo que nos atrai e nos “faz lutar” diariamente tem
uma natureza obsessiva compulsiva. E para que fazemos isso? Só o tempo responde, não há outra alternativa.
Se o tempo dizer que o trabalho desanimou a alma a ponto de fazê-la desistir, nada a segurará. E engana-se quem pensa
que precisa achar uma motivação interna, fazer workshops de mindfullness ou olhar para o extrato bancário para achar uma forma de seguir em frente. A alma não entende essa linguagem estranha, cheia de barulhos e números. O verdadeiro trabalho dela, ela dirá.

 

E não é uma questão de errar para achar o caminho certo. Pode-se acertar de primeira ou errar por décadas, ou até mesmo trocar de caminho para ver se o que estava seguindo era tão forte assim. É uma questão de quanto tempo levamos para
termos humildade suficiente para trabalhar naquilo que tanto queremos. E trabalho não é apenas algo relacionado à troca
de serviços por recursos capitais: Tudo aquilo que cria, produz e faz ter vida é trabalho. Um hobbie levado à sério é um
trabalho (e muito mais bem feito diga-se de passagem).

Seriedade é outra faceta do trabalho. Aquilo que é feito por lazer e sem dedicação é um divertimento.
Pode se tornar trabalho um dia? Sim, havendo dedicação. Mas se divertir sem se dedicar não é demérito. Todo mundo
precisa ser ruim em alguma coisa e rir dos próprios pés tropeçando. Imagina se todo mundo jogasse bola igual o
Cristiano Ronaldo? Ser bom em tudo é enfadonho.

 

Voltando para a seriedade, é ela que determina o quanto a nossa dedicação irá nos transformar. Se levamos algo a sério,
o foco é outro, aprendemos a filtrar o que presta e o que não presta, lidamos melhor com as falhas, nos tornamos mais
pacientes com o processo, pois ele está em nós agora. E a paciência é o sinal de avanço no trabalho, de que ele está
surtindo efeito. A alma não reside em lugares sem paciência, ela não tem paciência para isso.

Por isso volto no início da coluna dizendo que não adianta “fabricar” uma motivação sobre algo que não me dá a mínima
vontade de estar ali, como se eu fosse o alien daquele planeta que acabei pousando sem querer.

 

E você, gosta daquilo que faz?

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