No mês que se comemora o dia Mundial do Doador de Sangue, 
Hemocentro da Unicamp registra queda de 20% nas doações

21/06/2018

Paulo Medina

O dia 14 de junho é lembrado como o Dia Mundial do Doador de Sangue, com o objetivo de aumentar a conscientização
sobre a necessidade da doação e agradecer aos voluntários pela atitude, que pode salvar vidas. No Brasil, 1,8% da população doa sangue, número que está dentro dos parâmetros, de pelo menos 1%. A taxa, entretanto, está longe da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 3% da população doadora.

Após a greve dos caminhoneiros, o Hemocentro da Unicamp registrou queda de 20% nas doações de sangue e fez alerta
para doadores para conseguir manter o suporte transfusional para urgências e emergências nos hospitais da região.

O percentual é equivalente a 822 bolsas a menos.
As coletas eram realizadas tradicionalmente às primeiras sextas-feiras de cada mês, das 8h às 12h, no Hospital do Ouro Verde,
por meio dos ônibus no estacionamento da unidade, mas estão suspensas por tempo indeterminado devido ao baixo volume de doações.

Moradores do Ouro Verde que pretendem doar sangue devem ir ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, de segunda-feira a sábado
(inclusive feriados), das 7h30 às 14h.

Outras informações podem ser obtidas na central do Hemocentro através do 0800-722-8432.
O Ministério da Saúde quer sensibilizar novos voluntários e fidelizar doadores existentes.
“É importante saber que o sangue não tem substituto, então é de suma importância manter os estoques abastecidos.
Queremos reconhecer os doadores e angariar novos voluntários para que possamos transformá-los em doadores regulares”,
disse o Ministério da Saúde. “A meta é 3%, nós vamos fazer um esforço para chegar lá”, promete.
Apenas uma doação de sangue pode beneficiar até quatro pessoas.

No Brasil, ao ano, cerca de 3,5 milhões de pessoas realizam transfusões de sangue.
No total, existem no país 27 hemocentros e 500 serviços de coleta. 
O sangue é um recurso importante tanto para tratamentos planejados como para intervenções urgentes.
Ele ajuda pacientes que sofrem de doenças crônicas graves, como a doença falciforme e a talassemia, além de servir
de apoio para procedimentos médicos e cirúrgicos complexos. O sangue também é vital para tratar feridos em emergências.

Nessa época do ano, com as férias escolares, feriados de São João e mudança de estação, as doações costumam diminuir,
o que ocasiona uma baixa nos estoques de sangue. Por isso a campanha acontece nesse período, para incentivar e fortalecer
as doações.

O perfil dos doadores de sangue se mantém estável no país ao longo dos últimos anos. Do total de doadores, 60% são do sexo
masculino e 40% do sexo feminino. O maior percentual está na faixa etária a partir dos 29 anos, com 58% do total dos doadores,
enquanto as pessoas de 16 a 29 anos representam 42%.

De acordo com relatório divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), menos da metade dos doadores de sangue
na América Latina e no Caribe são voluntários. A porcentagem de doadores voluntários de sangue cresceu de 38,5% para 44,1%
entre 2013 e 2015 na região, mas ainda está longe de atingir o nível de 100% recomendado pela OMS.

Em alguns países, há a doação remunerada, além daquelas doações por reposição, quando o doador faz a doação em nome
de algum paciente. No Brasil, não existe doação remunerada. Em 2015, 61,25% das doações foram voluntárias e 38,17%
foram para reposição.

 
         
  Quem pode doar

 
No Brasil, pessoas entre 16 e 69 anos podem doar sangue. Para os menores de 18 anos é necessário o consentimento
dos responsáveis e, entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar se já o tiver feito antes dos 60 anos. Além disso, é preciso pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em bom estado de saúde. O candidato deve estar descansado, não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação e não estar de jejum. No dia da doação, é preciso levar documento de identidade com foto.

A frequência máxima é de quatro doações anuais para o homem e de três doações anuais para a mulher.
O intervalo mínimo deve ser de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres. 

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