Sobrinho do prefeito diz que indicou nome, 
mas nega irregularidades 

Paulo Medina

29/03/2019

Convocado para prestar informações na Câmara, por meio de requerimento do vereador Nelson Hossri (Podemos) aprovado

em plenário em dezembro passado, o secretário municipal de Governo e sobrinho do prefeito, Michel Abrão Ferreira, esteve

na segunda-feira (11) no Legislativo. Respon- dendo a questionamentos do parlamentar autor da convocação, Abrão negou

estar envolvido em quaisquer irregularidades no Caso Ouro Verde – nome pelo qual ficou conhecido o esquema de desvio de

verbas envolvendo o Hospital Ouro Verde e a organização social Vitale, que é investigado pelo Ministério Público.


Michel Abrão foi à Câmara para responder questionamentos dos vereadores após ter o nome mencionado pelo delator da Operação Ouro Verde, Daniel Câmara, a respeito de um possível esquema não executado para reequilibrar as finanças do contrato entre a

OS e o governo, discutido entre ele, Maurício Rosa e o advogado Marcelo Scalão, que visava que a Vitale devolveria R$ 400 mil

por mês à Prefeitura para compensar a "falta de arrecadação" na campanha  eleitoral de 2016.
Seguindo ao regimento interno para a convocação, o vereador Hossri teve até dez minutos para expor os motivos da convocação

e fazer suas perguntas e, na sequência, o secretário teve 30 minutos para fazer sua exposição. Houve ainda, tempo para réplica

e tréplica. “Nunca recebi nenhum tipo de propina nem conheço a existência de nenhum tipo de plano para arrecadação de propina”, pontuou Abrão.


Ele confirmou que recomendou a contratação de Maurício Rosa, mas destacou que foi pelo currículo do profissional e não

porque, como disse o delator premiado Daniel Câmara (ex-diretor da Vitale), para montar um eventual “plano B” para

arrecadação de propinas. “Nunca tínhamos ouvido falar nisso. Para nós havia apenas um plano, que é o atendimento à população.”
Depois de conclusa a parte inicial, ainda seguindo à regra da convocação, os sete minutos restantes foram divididos igualmente -

por partido - aos parlamentares que se interessaram em se manifestar.

O parlamentar do Podemos chegou a solicitar uma prorrogação do prazo de uma hora dedicado ao questionamento por igual

período. Porém, para que esta fosse aprovada seriam necessários votos de 2/3 dos 33 vereadores presentes e, como não havia quórum para a obtenção do número exigido, a prorrogação foi descartada.


Conforme o Jornal Legal mostrou em fevereiro, após mais de 22 horas, a sessão de julgamento do pedido de cassação do

prefeito Jonas Donizette em virtude da denúncia de infrações político-administrativas do prefeito no caso Ouro Verde acabou

com a rejeição das denúncias pela maioria dos parlamentares. Com isso, o chefe do Executivo permanece no cargo.

O resultado será comunicado ao Tribunal Eleitoral e o processo será arquivado.
E a convocação do secretário sobrinho do prefeito ocorreu somente após o encerramento da Comissão Processante.

Arquivo: Câmara Municipal

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